A
Escuta da Criança



Recentemente, falamos sobre a palavra potência, e refletimos o quanto as crianças dentro do ambiente da escola demonstram essa potencialidade em seu processo de desenvolvimento.

Hoje, queremos falar sobre uma outra palavra, a ESCUTA. Essa palavra tão simples traz uma grande complexidade quando procuramos vivenciá-la em nosso cotidiano com as crianças.

Escutar não está relacionado somente com o ouvir. Escutar implica em se colocar a disposição do outro para assim compreender o que realmente está sendo falado.

Quando pensamos neste movimento dentro das nossas escolas, entendemos que o educador ao ESCUTAR a criança deve sempre buscar o significado do que está sendo falado.

As crianças falam de muitas coisas, são questionadoras e pesquisadoras, cabe ao adulto buscar interpretar o que está sendo comunicado ou não. Neste sentido, segundo Rinaldi (2016), “a compreensão significa conseguir desenvolver uma teoria interpretativa, uma narrativa que dá significado ao mundo ao seu redor.”

É preciso ter a sensibilidade de escutar, além do que é falado, estar atento às perguntas das crianças, entender por que estão perguntando, quais são as conexões que fazem, suas reflexões, e assim, apoiar e cultivar a coragem delas de criar teorias e explicações para os mais diversos assuntos faz parte da nossa proposta pedagógica.

Essa escuta ativa exige a capacidade de estar com o outro, envolve afeto e acolhimento. É uma escuta que humaniza, que interpreta, gera perguntas e não busca respostas. Quando agimos desta forma podemos dizer que o tempo não pode ser programático. Aqui, a criança se relaciona com o todo, tem que ter vida, tem que ter relação.

Colocar a criança nesta relação, é ressignificar o aprender a aprender e a pensar. O conhecimento passa a acontecer em todas as situações do cotidiano, uma simples brincadeira ou conversa são consideradas importantes, porque aprendemos individualmente, em pequenos, médios e grandes grupos.

Neste sentido, a Rede de Educação Santa Marcelina, em sua proposta com as crianças da Educação Infantil, tem como foco a aprendizagem. Saímos do lugar de ensinar, dar respostas prontas e vamos para o “aprender com”. Cabe a toda comunidade educativa, observar, interpretar, escutar, buscar boas referências, fazer boas perguntas a partir das relações que acontecem entre crianças e adultos.

A escuta ganha um papel central dentro desta proposta, porque escutamos para compreender, refletir e projetar novas propostas para as crianças, tendo como ponto de partida e chegada a criança, suas reais necessidades, curiosidades e aprendizagem.

Neste processo não linear, vamos tecendo uma educação que corresponda ao hoje de nossa sociedade, procurando desenvolver pessoas que no futuro saberão também escutar, porque um dia foram escutadas.